segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Do bilinguismo passivo para o ativo

Brincando em um supermercado
Hurray! Renan está conseguindo manter conversas em inglês! :D

Desde o início de nossa jornada, quando comecei a falar inglês com ele (abril de 2014), eu tinha decidido que não iria forçá-lo a entender ou falar e se ele ficasse irritado com isso, eu pararia.
Pra minha surpresa, ele ficou muito interessado e curioso com esse segundo idioma, e fazer ele me entender em inglês foi mais fácil do que eu tinha inicialmente imaginado. Mas mesmo 9 meses depois, ele não estava falando frases nesse segundo idioma espontaneamente.
Vou enumerar três etapas que percebi no desenvolvimento de Renan até o momento.

1 - Primeiros contatos com idioma

Nas primeiras semanas e meses que comecei a introduzir o inglês, eu costumava traduzir para o português sempre que eu falava uma nova palavra. Por exemplo, para introduzir "cake", eu falava "cake, bolo, cake" e seguia conversando. Isso gerou internamente uma expectativa sempre presente em Renan de ele saber a palavra equivalente em português. Tive alguns problemas com expressões como "I didn't mean it" e outras que a tradução foge um pouco do 1-para-1, pois ele ficava com cara de interrogação. Então concluí que seria melhor ele aprender inglês através de inglês.

2 - Inglês através de inglês

Daí, chegou a época que parei de ficar traduzindo tudo e passei a tentar descrever ou usar sinônimos para introduzir novas palavras. Carol sempre me ajuda quando acontece de ele realmente precisar ou pedir uma tradução em português. Renan está tão acostumado a me ouvir em inglês que numa brincadeira fui cantar a música "parabéns para você" junto com ele e, quando falei "parabéns..." ele disse "Papai, você canta em inglês!". Rotina é importante mesmo!
 
3 - Uso ativo da língua

A criança, então, tende a fazer o que ela já está acostumada e deve ser incentivada para mudar sua rotina. Por isso, comecei a incentivar o uso ativo da língua inglesa, pois ele ainda estava acostumado a apenas falar em português comigo.
Comecei a incentivá-lo mais ou menos a partir de 16/12, que por coincidência foi justamente quando começou meu recesso de final de ano (o que significa mais tempo de exposição). Fui para o quarto dele e fomos brincar. Quando ele começou a falar alguma frase curta, eu traduzi para inglês na frente dele e pedia para ele repetir, sempre com tom de brincadeira e rindo bastante. Ele começou a se arriscar, falava algumas frases, mas nesse primeiro dia ficou só por isso mesmo.
Pra evitar ter que dizer "fala em inglês" ou outra frase equivalente o tempo todo, até inventei um gesto com meus dedos (parecido com o de Jogos Vorazes, hehehe, foi o que veio na hora..) o qual ele já entende imediatamente que estou pedindo para falar em inglês. Daí, comecei a perguntar uma coisa e, ao fazer esse gesto, ele já entendia que era pra responder em inglês e tentava. Ficamos assim alguns dias. Além disso, eu falei como fico feliz quando ele fala inglês, como ele é inteligente, etc, etc (elogios!).





Atualmente, ele tenta falar em inglês comigo de cara umas 70% das vezes, geralmente em português quando ele acaba de acordar ou quando estamos muito próximos eu, ele e Carol. Às vezes, ele fica tão empolgado quando está falando em inglês que corre para a mãe e fala com ela, mas como Carol nem sempre entende o que ele está falando (e ele já sabe disso), ele traduz a frase pra ela. Então, estou bastante satisfeito com os avanços que estamos fazendo juntos :). Ontem, até peguei ele brincando sozinho com seus bonecos com eles falando em inglês entre si: "Come here!", "No, it's him!".

Pra finalizar

Até já comentei pra ele que existem formas diferentes de falar inglês: que Peppa Pig (inglês britânico) fala tal palavra de tal forma e Mickey Mouse (inglês americano) fala de outra forma. Eu também mostrei os países no globo  ("planeta terra"), como sempre faço quando viajamos... ele fica prestando uma atenção tão grande que eu me pergunto o que passa pela cabeça dele. Quando eu disse que em Portugal se falava português diferente, ele disse "eu quero ver o vídeo do português diferente!".





terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tempo de exposição - conversas, vídeos, joguinhos

O tempo de exposição, que é o tempo que a criança passa em contato com o idioma minoritário (no caso, inglês), tem grande importância no desenvolvimento do bilinguismo. É através de exemplos e de um ambiente propício que a criança vai se sentir a vontade e ter os fundamentos necessários para falar. Quanto mais tempo a criança tiver contato com o idioma, mas ela vai ter condições de aumentar o vocabulário e de exercer um uso ativo do idioma (falar). Encontrei neste artigo uma referência para uma quantidade "razoável" de exposição no idioma minoritário por semana: cerca de 25 horas por semana. Isso equivale a aproximadamente 30% do tempo da criança acordado. Fazer menos de 20 horas semanais pode ser pouco para o desenvolvimento ativo do idioma.

Normalmente, nos dias de semana, eu passo as noites com Renan. Tem noites que converso com ele a noite toda, já tem noite que falo muito pouco. No sábado e domingo, eu passo muito tempo conversando com ele, praticamente o dia todo. 

Ao longo desses meses, venho tocado também vídeos, desenhos e jogos para ele em inglês, como forma de incentivá-lo e, ao mesmo tempo, mostrar que inglês é um idioma usado por outros (inclusive pelo Mickey que ele adora!).

Desenhos e animações

Eu uso o Netflix, Youtube e alguns aplicativos de Android para passar desenhos e vídeos legais para Renan em inglês (não uso TV a cabo).
No Youtube, os canais com musiquinhas que nós mais gostamos são:
No Netflix, os programas que ele mais assiste em inglês são:
  • Mickey Mouse Clubhouse 
  • Pocoyo
  • Mister Maker
  • Animal Mechanicals
Aplicativos e jogos eletrônicos


Best Kids Stories
Renan adora quebra-cabeças e joguinhos de montar. Listo os aplicativos abaixo apenas para exemplificar, uma vez que existe uma grande quantidade de aplicativos nesse sentido na PlayStore:
Também existem alguns aplicativos que misturam o conceito de história e jogo. Este aplicativo com a história da chapeuzinho vermelho, por exemplo, tem uns mini-jogos a cada página. No iStoryBooks, há várias historinhas narradas (mas estáticas). The Going to Bed Book é um livro interativo bastante divertido (e com música calma), mas é pago e um pouco curtinho.

Definitivamente, o aplicativo que mais usamos foi Best Kids Stories. Ele não é gratuito (parece-me que ao instalar você ganha alguns vídeos grátis), mas tem uma qualidade visual muito alta e as histórias são muito bem contadas e resumidas, com inglês excelente. Recomendo bastante. EDIT: hoje em dia é possível assistir alguns vídeos direto do Youtube, basta acessar este link.

Consegui fazer Renan falar várias frases em inglês hoje, depois de ficar pedindo para ele repetir comigo, completar umas frases ou responder sozinho. No entanto, a resposta padrão ainda é o português, mas ele não se importou de eu ficar pedindo pra ele falar inglês comigo. Será que isso vai evoluir? :).

domingo, 14 de dezembro de 2014

Faltam palavras!


Como o título do blog informa, eu não sou um falante nativo de inglês e nem vivi em um país em que se fale inglês. Inevitavelmente, nesse contexto, acabo frequentemente encontrando objetos cujo nome em inglês eu desconheço... principalmente no mundo das crianças!


E então, o que fazer? Vou dar um exemplo: Renan acaba de ganhar sua primeira massinha de modelar. Como falar com ele se eu não sei como dizer o nome desse brinquedo em inglês?

O que eu faço normalmente é pesquisar rapidamente pelo celular no aplicativo do Google Translate. O legal é que o aplicativo também pronuncia a palavra, daí você já aprende como se fala (porque, como vocês devem saber, a escrita das palavras em inglês não nos garante que vamos pronunciar corretamente). Nesse caso da massinha de modelar, por exemplo, houve uma dúvida: o Google Translate disse que a tradução é "play doh". Mas, peraí... Play Doh não é um nome de uma marca de produto de massinhas de modelar? É confiável chamar qualquer produto por esse nome? Depois descobri que a expressão "Play Doh" é a frequentemente usada para designar a massinha (Marcelo também me avisou isso nos comentários deste post), embora a expressão mais "neutra", exibida nas embalagens, geralmente seja modeling clay ou modeling compound.

Ainda tem a complicação de saber se o que você achou é inglês britânico ou americano (no meu caso, escolhi usar inglês americano)...

O cenário acima demonstra como às vezes pode ser custoso pesquisar por uma tradução e, ao mesmo tempo, às vezes você vai começar a usar uma palavra e depois descobrir que está errado e vai ter que dizer para seu filho que não era aquela palavra, mas outra. Nesses momentos, eu deixo aberto com Renan que existem coisas que eu também não sei, daí falo "eu pensei que isso se chamava tal, mas é tal" e dou uma risada. Não se preocupe demais, no entanto, pois encontrar a palavra correta muitas vezes é bem mais fácil, bastando pesquisar (no meu caso) no Google Images e/ou Google Translate.

Tem uma coisa que sempre que acontece eu me surpreendo: eu uso e portanto Renan aprende uma determinada palavra, daí ele passa duas, três ou mais semanas sem ouvir essa palavra, e na próxima oportunidade ele ainda lembra da mesma! Portanto, cuidado com as palavras que você usa, tente ser o mais exato possível. E ter precisão na linguagem é compensador quando você coloca seu filho para assistir a um desenho na TV e algum dos personagens usa exatamente a palavra ou expressão que você fez questão de ensinar corretamente.

Abaixo, gostaria de compartilhar uma lista de palavras que originalmente eu não sabia e que aprendi da maneira acima descrita, para exemplificar:

  • Animais: sloth (bicho-preguiça), urchin (ouriço-do-mar), meerkat (suricate)... é incrível a quantidade de animais nos livros infantis!
  • Carro e trânsito: trunk (mala do carro), hood (capu), steering wheel (direção, volante), crosswalk (faixa de pedestre), speed bump (quebra-mola).
  • Casa: tap (torneira, essa eu não sabia!), stool (banco, comecei chamando de chair, depois mudei), toilet (vaso sanitário), mattress (colchão), bedspread/quilt (colcha).
  • Roupas e acessórios: flipflop (chinelo, tive que pesquisar a diferença do flipflop para slippers)
  • Bebê: diaper (fralda), bib (babador), crib (berço), pacifier (chupeta, consolo).
  • Outros: spring (mola), screwdriver (chave de fenda).

Outra dica é procurar por expressões do tipo "car parts english", "clothes english" ou "shirt vocabulary" para conseguir diferenciar mais facilmente os objetos e seus nomes. Vou postar algumas imagens do tipo pictionary para que vocês possam ter uma ideia de como podem ajudar.
Diferentes palavras para diferentes roupas

Partes do carro.

Um site com partes de roupas, do corpo, etc:


Tipos de bilinguismo

O que significa dizer que uma pessoa é bilíngue? Quais são os tipos de bilinguismo?

A palavra bilíngue não tem apenas uma definição e dependendo da fonte você obtem uma resposta diferente.

Aqui vou classificar conforme encontrei no livro Raising a Bilingual Children, de Barbara Zurer. Achei as categorias bem interessantes e também a analogia que ela fez com o mundo da botânica, como se o aprendizado dos idiomas fossem árvores crescendo em terreno fértil. Vou usar os termos L1 para denotar o idioma da comunidade (majoritário) e L2 para denotar o idioma de casa (minoritário).

Nesse livro, a autora listou três tipos de bilinguismo:

  1. Bilingual First Language Acquisition (BFLA): quando a criança começa a aprender os dois idiomas (L1 e L2) ao mesmo tempo, aproximadamente desde o nascimento. 
  2. Second Language Acquisition (SLA): quando a criança começa a falar o segundo idioma (L2) a partir dos dois ou três anos de idade, logo após L1 ter se firmado.
Essa informação está resumida na tabela abaixo:

Denominação Tempo de aquisição de L2 Habilidade Outros termos
Bilíngue precoce (Early bilingual) A partir do nascimento. L1 e L2 simultâneos. Falante nativo em L1 e L2 Simultâneo
Aprende L2 após 2 ou 3 anos de idade ou aos 5 anos no colégio Falante nativo em L1 e L2 Sequencial precoce
Bilíngue tardio
(Late bilingual)
Depois da puberdade Nativo em L1, não nativo ou "quase nativo" em L2 Sequencial tardio

Analogia com árvores

Como falei acima, achei interessante a analogia que a autora fez com as plantas, em especial com árvores.

Quando a criança começa a aprender os idiomas L1 e L2 ao mesmo tempo, então cada um vai ter uma "raiz" separada, crescendo do mesmo solo. Dependendo dos nutrientes que cada árvore receba, é esperado que elas cresçam em paralelo, como na figura abaixo.

Árvore L1 e árvore L2 para bilíngues simultâneos.
Quando a criança começa a aprender L2 a partir dos 2 ou 3 anos, então os fundamentos do idioma L1 já estão estabelecidos, logo a criança vai se utilizar do conhecimento que ela já tem sobre palavras, sons, expressões que adquiriu através de L1 enquanto estiver apredendo L2. No entanto, como L2 está sendo adiciona muito cedo, a criança ainda aprenderá muitas novidades através de L2, formando a árvore da figura a seguir.


Para bilíngues sequenciais precoces, L1 é a árvore e L2 torna-se como uma "trepadeira".
Já para quem aprende um idioma a partir da puberdade, o idioma L1 já está tão estabelecido que quase todo conhecimento adquirido no aprendizado de L2 será conectado com outro conhecimento já adquirido com L1, de modo que se asemelha a um galho de laranjas enxertado numa macieira como na figura abaixo.
Para bilíngues sequenciais tardeios: L1 é a árvore e L2 é um enxerto.

Até agora, vimos como o bilinguismo pode ser classificado de acordo com o tempo em que o idioma L2 é introduzido para a pessoa. Podemos, no entanto, também classificá-lo de acordo com a proficiência que é adquirida no mesmo. Por exemplo: a criança sabe apenas entender, mas não costuma falar ou ela sabe entender e falar, mas não consegue ler e escrever?

Desse modo, a tabela abaixo separa os bilíngues de acordo com o nível de habilidade em cada idioma.

DenominaçãoHabilidadeOutros termos
Balanced Ambilingual ActiveEsta pessoa fala, entende, lê e escreve igualmente bem nos dois idiomas.Elite bilingual
Additive bilingual.
Unbalanced DominantUm dos idiomas L1 ou L2 é dominante. O nível de proficiência em um dos idiomas é equivalente a de uma pessoa monolingue, mas no outro idioma a proficiência é bem menor.
Unbalanced Dominance UnclearNuma situação de imigração típica, a criança começa dominante em L1 e troca a dominância para L2. Ou seja, L2 "ultrapassa" L1. Geralmente, a criança tem as quatro habilidades em L2, mas não sabe ler e escrever em L1. Subtractive bilingual
PassiveA criança aprende as quatro habilidades em L1, mas apenas habilidades receptivas em L2 (como entender e ler).


Por fim, considerando minha experiência com meu filho até o momento, ele se enquadraria como bilíngue sequencial precoce e passivo, pois ele sempre responde em português quando falo inglês para ele (embora ele esteja começando a se arriscar bastante ultimamente; talvez eu possa tomar algumas ações para incentivá-lo!).

Como foi o primeiro dia

Como falei no último post, comecei a falar em inglês com meu filho em casa quando ele tinha 2 anos e 5 meses. Antes desse dia, eu não tinha chegado a ensinar nenhuma palavra em inglês para ele, nem os números. Na verdade, quando ele assistia vídeos no Youtube, por exemplo, lembro que eu evitava passar vídeos em inglês porque sabia que ele não iria entender... que mudança de comportamento tivemos!

Antes de começar

Antes de começar de verdade (mas ainda no mesmo dia), pesquisei rapidamente na Internet sobre o assunto e descobri que existem alguns métodos bem conhecidos que os pais utilizam em famílias bilíngues. Estou me referindo ao One Parent One Language (OPOL) e ao Minotiry Language at Home (mL@Home), dentre outros. Para escolher um desses métodos, é importante analisar o contexto familiar, os idiomas que os pais sabem falar, etc. Vou fazer um post somente sobre esse assunto, mas aqui resumo que eu e minha esposa Carol escolhemos usar OPOL de modo que ela vai falar apenas em português com Renan e eu apenas em inglês.

Primeiro dia

Então, como começamos a falar? Brincando, claro! O melhor que vejo em ser bilíngue em casa é justamente termos um ambiente bem descontraído em que o idioma é apenas uma ferramenta, um meio de se atingir o fim (brincar, comer, etc.), e não um fim em si. Dessa maneiro, levei Renan para seu quarto e comecei a procurar por algum brinquedo que tivesse muitas cores, pois achei interessante começar por aí. No caso, peguei um dos brinquedos dele (Uno Muu) e começamos a brincar. Como eu falei, qualquer brinquedo ou objeto serve para iniciar, afinal, será apenas uma conversa normal entre pai e filho.

Agrupei os animais de mesmas cores em cada lado e comecei a repetir o nome das cores (no caso, red, yellow, blue e green). Renan não repetia comigo, mas dava pra notar que ele ficou muito curioso. Ao pedir para ele pegar os animais quando eu falava as cores, percebi que já tinha entendido a dinâmica. Logo em seguida, passei a agrupar os animais pela espécie e chamá-los: sheep (ovelha), cow (vaca), dog (cachorro), chicken (frango/galinha), pig (porco), skunk (gambá) e boy (menino). Por fim, abri a portinha da casinha vermelha da fazenda (o celeiro, barn, em inglês) e ia dizendo "red dog", e então Renan colocava o cachorro vermelho dentro do celeiro. "Yellow chicken", e ele colovaca a galinha amarela e assim por diante, até ele colocar todas as 28 pecinhas! Claro que bastava ele reconhecer a cor ou animal e ainda tinha minha ajuda nos casos de dificuldade, mas mesmo assim.

Usei as palavras it, a, an, the e todo o verbo to be sem grandes explicações de modo que ele pegou o significado pelo contexto. E foi assim o primeiro dia (na verdade, primeira noite).

Me lembro muito bem desse dia e me impressionou como ele aprendia tão rapidamente! Isso foi um ponto muito motivador, pois em poucos dias eu já conseguia me comunicar bastante com ele.

Dias seguintes

Nos outros dias, lembro-me que quando havia uma palavra nova, muitas vezes eu traduzia para o português da seguinte maneira: "Look, Renan! It's a shower! Chuveiro! Shower!". Fiz isso para garantir que ele iria entender o que eu estou falando. Às vezes, não era necessário que eu traduzisse em português, pois Renan mesmo já falava:"Renan, what's behind the box?", ele respondia: "a bola", então eu dizia: "The ball, the ball, that's right!".

Durante os primeiros meses, eu sempre introduzia uma nova palavra em inglês com sua devida tradução no português, para ele entender imediatamente. Isso foi muito útil inclusive nos momentos que eu precisava orientar sobre perigos: "Don't do it, you can get hurt. Machucar. Get hurt. It's too high!". No entanto, percebi que ele ficou "viciado" em sempre ter uma tradução para as palavras do inglês, de modo que ele não conseguia aprender uma nova palavra em inglês sem ficar sabendo em português: fazia questão de perguntar.

Depois de alguns meses, consegui que ele adquirisse um vocabulário maior e com isso comecei a conseguir explicar novas palavras e expressões utilizando o próprio inglês (com sinônimos ou explicações descritivas). Muitas vezes, eu me deparava na situação de não saber que palavra usar em determinada situação, daí sempre recorro ao meu dicionário de bolso, meu celular!

Consistência

Os livros, sites, a literatura sempre afirmam que é muito importante manter a consistência (falar apenas inglês em todo lugar, ou falar sempre inglês em casa, ou outra regra qualquer). Minha esposa até estranhou porque eu estava falando em inglês mesmo em horas mais críticas (como nos momentos de repreender ou quando ele acaba de se machucar e está chorando). Mas isso é justamente para manter a consistênciase eu ficar alternando entre português e inglês vai dar brecha inclusive para Renan ficar solicitando que eu fale em um idioma ou outro quando ele quiser (pois ele vai perceber que há essa opção). Já que eu só falo em inglês com ele, por mais que continue a falar em português com minha esposa, mesmo assim ele nunca pediu para eu voltar a falar em português com ele (embora já tenha dito: "como é em portugues?" para que eu traduza uma palavra em inglês que eu tenha acabado de falar).




sábado, 13 de dezembro de 2014

Como passei a ser pai de uma criança bilíngue


Há quanto tempo não escrevia mais em nenhum blog! Desta vez, no entanto, quero escrever sobre famílias bilíngues e pais falantes não nativos! Isso também é novidade pra mim!

Me apresentando melhor, meu nome é Bruno, tenho 30 anos, casado e pai de um menino de 3 anos chamado Renan. Seria tudo bem comum não fosse minha decisão desde abril deste ano de falar exlusivamente em inglês com meu filho. Mas por que resolvi fazer isso, já que inglês não é minha língua materna nem tenho nenhum parente no exterior?

Tudo começou, na verdade, com um desejo de (talvez) colocá-lo em uma escola bilíngue de João Pessoa, onde moramos. Visitamos em 2013 uma escola, achei muito organizada, salas amplas, cheguei a ouvir até uma menina bem pequena falando em inglês com a professora. Cogitamos colocar lá, mas um conjunto de fatores terminou por não permitir: a mensalidade é muito cara, a não ser que eu pretendesse ter filho único; a escola é distante de minha casa e eu e minha esposa não temos nenhum familiar na cidade; e, por último,  nem conseguimos vaga!

Por acaso, ganhei de minha cunhada um livro cujo tema era "ensine inglês ao seu filho". O livro instruía os pais a fazerem atividades recreativas de modo a seus filhos aprenderem palavras, frases, músicas em inglês. Logo vi que o público-alvo do livro não me incluía,  porque não era necessário sequer saber inglês realmente para usá-lo, só que eu tenho um nível que se aproxima de fluente. Quando percebi isso, comecei a falar com ele na mesma noite!

Já faz meses que estou falando com meu filho dessa maneira e pensei que poderia compartilhar um pouco o que estou passando, não é mesmo? No caso, ao menos por enquanto, Renan está tendo uma forma de bilinguismo chamada de Bilinguismo Passivo (porque ele responde principalmente em português para tudo que eu falo). Normalmento leio tanta coisa da Internet e escrevo tão pouco! Desse modo, este blog é sobre minha experiência como um pai falante não nativo de inglês. Até os próximos posts!